O Caxambu é uma manifestação que remonta aos tempos da escravidão no Brasil. Já naquela época, os negros escravizados costumavam cantar e dançar por horas a fio, invadindo as madrugadas. Não raro seus senhores observavam da varanda da casa grande, atraídos pelo som dos tambores e pela cantoria. Originalmente um ritual de resistência à escravidão, o Caxambu consiste na formação de uma roda para cantar jongos (versos algumas vezes improvisados, tendo como tema a fé e o cotidiano).
“Quem conta um conto aumenta um ponto”. O dito popular se aplica com perfeição à história do Caxambu Santa Cruz, em Monte Alegre, zona rural de Cachoeiro de Itapemirim. A origem da manifestação tem um quê de fantástico, reafirmado nas múltiplas versões a respeito da história de um “escravo” chamado Adão (o adjetivo escravo foi mantido no texto por ser a forma como os moradores do quilombo se referem a ele. Em seus relatos, eles o denominam sempre “Escravo Adão”, como se a palavra escravo fizesse parte do nome dele).
Segundo a tradição oral difundida no quilombo, a primeira festa Raiar da Liberdade teria acontecido na noite de 13 de maio de 1888, quando passageiros provenientes de Cachoeiro de Itapemirim, que passavam pela estação ferroviária de Pacotuba, levaram a notícia. Negros de ganho escravizados, que trabalhavam no entorno da estação, teriam levado a notícia para o quilombo.
O projeto “Todas as faces de Maria” é um conjunto de ações culturais (documentário, livro e exposições fotográficas) que registra e celebra a trajetória de vida e a liderança da mestra quilombola capixaba Maria Laurinda Adão, transformando sua história em símbolo de resistência negra e patrimônio cultural do Espírito Santo e do Brasil.
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