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O Caxambu

O Caxambu é uma manifestação que remonta aos tempos da escravidão no Brasil. Já naquela época, os negros escravizados costumavam cantar e dançar por horas a fio, invadindo as madrugadas. Não raro seus senhores observavam da varanda da casa grande, atraídos pelo som dos tambores e pela cantoria. Originalmente um ritual de resistência à escravidão, o Caxambu consiste na formação de uma roda para cantar jongos (versos algumas vezes improvisados, tendo como tema a fé e o cotidiano).

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O Grupo

“Quem conta um conto aumenta um ponto”. O dito popular se aplica com perfeição à história do Caxambu Santa Cruz, em Monte Alegre, zona rural de Cachoeiro de Itapemirim. A origem da manifestação tem um quê de fantástico, reafirmado nas múltiplas versões a respeito da história de um “escravo” chamado Adão (o adjetivo escravo foi mantido no texto por ser a forma como os moradores do quilombo se referem a ele. Em seus relatos, eles o denominam sempre “Escravo Adão”, como se a palavra escravo fizesse parte do nome dele).

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As mestras do Santa Cruz

A Festa Raiar da Liberdade

Segundo a tradição oral difundida no quilombo, a primeira festa Raiar da Liberdade teria acontecido na noite de 13 de maio de 1888, quando passageiros provenientes de Cachoeiro de Itapemirim, que passavam pela estação ferroviária de Pacotuba, levaram a notícia. Negros de ganho escravizados, que trabalhavam no entorno da estação, teriam levado a notícia para o quilombo.

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Conquistas

2005

Reconhecimento do grupo como Patrimônio Cultural do Brasil

O Santa Cruz – assim como os demais grupos de jongo e caxambu do Sudeste do Brasil – é registrado pelo Iphan e reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil desde 2008, sendo que o grande marco desse processo foi a realização do Primeiro Encontro de Jongos e Caxambus do Espírito Santo, sediado em Cachoeiro de Itapemirim, em 2009.

2010

Reconhecimento da mestra Maria Laurinda Adão como Patrimônio Vivo de Cachoeiro

Certificação ocorrida pela Lei Mestre João Inácio, de Cachoeiro de Itapemirim, em 2011.

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2011

Reconhecimento da mestra Adevalmira Adão Felipe como Patrimônio Vivo de Cachoeiro

Certificação ocorrida pela Lei Mestre João Inácio, de Cachoeiro de Itapemirim, em 2011.

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2012

Reconhecimento da mestra Neuza Gomes Ventura como Patrimônio Vivo de Cachoeiro

Certificação ocorrida pela Lei Mestre João Inácio, de Cachoeiro de Itapemirim, em 2012.

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2024

Reconhecimento do Raiar como Patrimônio Cultural do Espírito Santo

Em 2024, após análise do Conselho Estadual de Cultura, da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), ocorreu o registro e o reconhecimento do Raiar como Patrimônio Cultural Imaterial do Espírito Santo. Os componentes do Caxambu Santa Cruz receberam o título diretamente do Governador Renato Casagrande, durante o ato solene, realizado em novembro de 2024. Esse reconhecimento foi fruto da construção do Inventário Nacional de Referências Culturais (metodologia criada pelo IPHAN para a identificação dos patrimônios brasileiros), um intenso levantamento de informações – documentos, reportagens, registros em vídeos e fotos, além de entrevistas com pessoas do quilombo Monte Alegre –, trabalho que se iniciou em 2022.

2024

Recebimento do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade

O projeto denominado “Trilhas do Quilombo Monte Alegre” foi vencedor do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade 2024, a mais alta premiação na área da preservação e da salvaguarda do patrimônio cultural brasileiro. Ele concorreu com cerca de 250 propostas de todo o território brasileiro e foi uma das 18 contempladas. Mais que isso: foi a primeira vez que esse prêmio veio para o estado do Espírito Santo, após 37 anos de sua criação. O projeto “Trilhas do Quilombo Monte Alegre” reúne um conjunto de ações desenvolvidas pela Associação de Salvaguarda do Patrimônio Imaterial Cachoeirense com o Caxambu Santa Cruz. A cerimônia de premiação ocorreu em junho de 2025, em Brasília.

2025

Certificação como Ponto de Cultura

O Caxambu Santa Cruz foi certificado como Ponto de Cultura pela Política Nacional Cultura Viva, passando a ser um coletivo reconhecido por sua atuação na comunidade, com ações que valorizam a diversidade cultural e a participação social. O perfil do Coletivo Santa Cruz na plataforma do Cultura Viva pode ser acessado em https://culturaviva.cultura.gov.br/agente/307184/#info.

2025

Certificação como Ponto de Memória

O grupo de caxambu Santa Cruz, do Quilombo Monte Alegre, foi reconhecido oficialmente como um Ponto de Memória, certificação emitida pelo Ibram – Instituto Brasileiro de Museus. Isso significa o reconhecimento, por parte desse órgão oficial, de que “a entidade ou o coletivo cultural apoia e/ou desenvolve programas, projetos e ações de museologia social para a identificação, pesquisa e promoção do patrimônio material e imaterial de comunidades específicas, visando ao reconhecimento e à valorização da memória coletiva”.

Todas as faces de Maria

O projeto “Todas as faces de Maria” é um conjunto de ações culturais (documentário, livro e exposições fotográficas) que registra e celebra a trajetória de vida e a liderança da mestra quilombola capixaba Maria Laurinda Adão, transformando sua história em símbolo de resistência negra e patrimônio cultural do Espírito Santo e do Brasil.

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Jongos do Caxambu

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