O Caxambu é uma manifestação que remonta aos tempos da escravidão no Brasil. Já naquela época, os negros escravizados costumavam cantar e dançar por horas a fio, invadindo as madrugadas. Não raro seus senhores observavam da varanda da casa grande, atraídos pelo som dos tambores e pela cantoria. Originalmente um ritual de resistência à escravidão, o Caxambu consiste na formação de uma roda para cantar jongos (versos algumas vezes improvisados, tendo como tema a fé e o cotidiano).
A permissão das rodas fazia parte das negociações entre escravizados e senhores. Dessa forma, buscava-se amenizar o sofrimento do cativeiro. Para que os senhores e feitores não entendessem o que os negros cantavam, os versos tinham uma característica que persiste até os dias de hoje: eram cifrados. Com isso, podiam debochar dos senhores e capatazes, por exemplo, sem a ameaça do castigo físico.
Por meio dos versos os caxambuzeiros também resolviam rivalidades surgidas nas senzalas. E faziam isso em batalhas verbais. Quem perdia o desafio poderia sofrer consequências físicas ou no plano espiritual. Vem daí a tradição de “amarrar” alguém na roda do Caxambu. Quando “amarrada” a pessoa não consegue deixar a roda, fica numa espécie de transe. Não um transe de elevação espiritual, mas de sofrimento.
Além de debocharem dos seus opressores nas rodas, por meio dos jongos os caxambuzeiros também desafiavam seus senhores e invocavam os santos e orixás de devoção, a quem clamavam por ajuda para se libertar da escravidão. Era uma forma de resistir aos maus tratos e não perder a alegria. As rodas eram formadas sempre ao lado de uma fogueira, ao som de batuques e tambores.
Em Cachoeiro de Itapemirim são utilizados apenas dois tambores: o caxambu (o maior, com função de “chamar”) e o candongueiro (o menor, que tem como função “responder”). Quem participa de grupo de caxambu é chamado de caxambuzeiro. O livro “Caxambu: tambores da liberdade” traz, com ricas ilustrações, os detalhes sobre esse folguedo;